Moçambique: segundo dia de violentos protestos contra aumento de preços no pão, água e luz

006protestoemmaputoProtesto contra aumento de preços já conta 7 mortes confirmadas (EPA-European Press Agency)

Reuters/Brasil Online

Por Charles Mangwiro

MAPUTO (Reuters) – Manifestantes bloquearam ruas com pneus em chamas e saquearam lojas nesta quinta-feira em Maputo, capital de Moçambique, no segundo dia de violentos protestos causados pelo aumento dos preços da água, energia e pão.

Fontes policiais e hospitalares disseram na quarta-feira que seis pessoas morreram, inclusive duas crianças, por causa de disparos de policiais contra manifestantes, nos piores distúrbios desde 2008 nesta ex-colônia portuguesa de 23 milhões de habitantes. Oficialmente, a polícia diz que quatro pessoas morreram, inclusive as duas crianças. As mobilizações foram convocadas por mensagens de texto e emails, após os  anúncios dos aumentos de preços.

A água e a eletricidade tiveram alta em torno de 13 por cento, e o preço do pão subirá 30 por cento, neste que é um dos países mais pobres do mundo e nunca se recuperou totalmente de uma das mais sangrentas guerras civis da África (1976-92).

O ministro do Interior, José Pacheco, disse que o governo está tentando identificar a origem dos protestos, que começaram a ser convocados na terça-feira."Registramos mortos, feridos, perda de propriedade por meio do uso de pedras e de disparos de policiais usando balas de borracha. Não há ordem de usar munição real", disse Pacheco à emissora privada STV.

Outros policiais graduados disseram, no entanto, que em alguns lugares a polícia usou munição real depois de ficar sem balas de borracha. Cidadãos também disseram ter visto disparos de munição real.

"Estamos trabalhando na identificação das pessoas que organizaram os protestos, para atribuir-lhes a culpa pelos mortos e feridos, e também pela destruição de propriedade", afirmou Pacheco. A STV relatou dez mortes, cerca de 140 prisões, 27 feridos com gravidade e 32 saques a lojas e bancos.

"Não posso me arriscar a ir trabalhar, a polícia está fortemente armada, dispara indiscriminadamente com munição real, porque acha que todos estão envolvidos. É perigoso demais e estou ilhado aqui", disse Gerson Marcos, morador de Magoanine, populoso subúrbio de Maputo.

Pacheco declarou que a população, em vez de promover distúrbios, deveria dialogar com o governo. "Os protestos são ilegais e não vão contribuir com os esforços dos moçambicanos para acabar com a pobreza."

Fonte: O Globo 

O governo da Frelimo, congênere em tudo por tudo com o MPLA angolano, deveria reprimir com o mesmo vigor demonstrado em relação aos que protestam contra o aumento de preços, a escandalosa corrupção que grassa na máquina governamental. Se a ‘nomenklatura’ da Frelimo controlasse os seus muitos gatunos, a vida do povo moçambicano seria ao menos, um pouco melhor.

Antes de o ministro José Pacheco declarar que ‘a população, em vez de promover distúrbios, deveria dialogar com o governo. Os protestos são ilegais e não vão contribuir com os esforços dos moçambicanos para acabar com a pobreza, deveria mais é declarar que não é a roubalheira disseminada no seu governo que vai contribuir para acabar com a pobreza, isto sim.

 

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